quarta-feira, 30 de novembro de 2011


Estava pensando, aliás, estava vomitando algumas coisas no meu banheiro, vomitando angústias, decepções, raiva, pessoas, quando me interveio a pergunta. Afinal, porque é tão difícil falar o que se sente e se pensa aos outros?
Primeiro me veio a hipótese da forma como fomos criados, em que desde pequenos fomos ensinados a ter "Educação" e respeitar o espaço e sentimentos dos outros, afinal, é preciso ponderar as palavras para não destroçar seu semelhante. A segunda foi a lembrança de uma briguinha que tive na escola, me borrei de medo de levar uma unhada na cara porque chamei minha coleguinha de bruxa, ai desde pequena cresci pensando que não valeria brigar, discutir em vão, bater no outro, afinal, numa briga você sempre sai com algum hematoma, emocional e físico, e tem mãos que, pode ter certeza, envenenariam seu sangue e sua alma. Ai veio a terceira, tem pessoas que não estão preparadas para ouvir o que são, afinal, se somos a construção do que fazemos, do que introjetamos e do que fazem de nós, o fato de você não saber quem é já e conflitante, imagine alguém vomitar em você tudo o que vê de fora. Nesse momento já estava me dando náuseas de novo, e pensei se realmente valeria a pena falar, gastar palavras em vão para quem não quer mudar, gastar saliva para quem está em um patamar de presunção a ponto de nem sequer se considerar atingível por um elogio ou critica. Gastar olhar verdadeiro por um olhar que tenta ser sincero, mas que esboça a destruição perigosa da falta de humildade, gastar tempo quanto este poderia ser utilizado com quem amamos, falar do que é ruim, quando o bom nos espera para ser jorrado no peito. Pensei que a angústia, o cansaço físico/emocional, a tristeza, a decepção, a mágoa...isso é o que desfragmenta tudo, não a pessoa que faz emergir isso de você, não as atitudes que te fazem sofrer com isso, e sim a falsidade que te corrói de indignação, a falta de ética que te dá vontade de mandar pessoas irem tomar café lá na casa da mãe Joana,  a covardia de te julgarem por pequenos gestos percebidos de forma errada, a falta de respeito com o que você tem de melhor. É a maldade dos outros que não se contentam em se sentir incompletos, que não conseguem sentir-se tristes e descompensados sozinhos, que não se conformam em ser autodestrutivos e buscam destruir os outros...Isso!! O que acaba com tudo, com o respeito que você tinha, o que lhe dá vontade de falar palavrão, de deixar seus instintos primários se manifestarem, o que te tenta a escancarar o seu Inconsciente, enclausurar seu Superego e reprimir seu ego para que o Id “detone” tudo são as atitudes e não as pessoas que as cometem!
Então, lavei o resto, voltei a vomitar os sentimentos e a imagem das pessoas que me fazem mal, vomitei também o respeito que ainda restava, o amor que ainda deixava resquícios de amizade, não vomitei lembranças, elas eu guardei, afinal lembrar do que lhe fez aprender é sempre necessário, vomitei tudo, então agora, me sinto melhor. E sabe o que aprendi?Vou continuar como sou, vou continuar e doando, ajudando, brincando, gargalhando, me esforçando, vivendo...POR MIM e por quem vale a pena!!
Aos demais que se encaixam nesse perfil, meu vômito!!

Nara Morais


domingo, 27 de novembro de 2011

Ai se Sêsse


‎"Se um dia nois se gostasse. Se um dia nois se queresse
Se nois dois se empareasse. Se juntim nois dois vivesse
Se juntim nois dois morasse. Se juntim nois dois drumisse
Se juntim nois dois morresse. Se pro céu nois assubisse
Mas porém acontecesse de São Pedro não abrisse
a porta do céu e fosse te dizer qualquer tulice
E se eu me arriminasse. E tu cum eu insistisse pra que eu me arresolvesse
E a minha faca puxasse. E o bucho do céu furasse
Tarvês que nois dois ficasse. Tarvês que nois dois caisse
E o céu furado arriasse e as virgi toda fugisse."



-Cordeldofogoencantado
"É difícil quando se quer fazer o certo e o mundo está errado..
A pessoas erradas... você está errada por tentar corrigir os erros alheios.
Quando o esforço e sangue é dado e o cálice é jogado fora como água suja.
A raiva emana dos olhos.
O coração palpita calejado pela sombra irresponsável de quem não sabe nem sequer quem é.
Tampouco o que quer."

Nara Morais


sábado, 26 de novembro de 2011


De todo o amor que tenho distribuo para cada um que amo a quantidade correta para nem deixá-lo de lado e nem para enclausura-lo em minha ânsia de entrega. A meus pais e irmãos, o amor é incondicional e eterno, é um amor que não se mede e talvez por isso muitas vezes não se fale, afinal para que buscar explicações para o que não há sentido. Para os amigos, o amor é diferente, é um amor colorido, um amor entusiasmante, algo que não se define om palavras mais com atos. Percebemos esse amor nos momentos mais inusitados, nas alegrias e no compartilhar de tristezas, percebemos quando sentimos a dor e a decepção do outro, quando sentimos vontade de dar uma "voadora" em alguém que faz seu amigo sofrer mesmo você sendo medroso e fingidamente diplomata. Nós amamos os amigos e gostamos dos que gostam dos nossos amigos, e garanto, porque sinto, nós acabamos sentindo raiva de quem magoa eles. O outro amor que dispomos é para o amor do sexo oposto, para aquela pessoa que nem é sua família nem seu amigo e se torna família, amigo e amor...para ele damos tudo, o coração, a alma, a tristeza, as dores, a vida, damos o que há de melhor e pior. Para ele damos coisas que nem imaginávamos.Acrescentaria ainda a sua profissão, pois á Psicologia dedico minha vida, meu peito, meu tempo, e um amor imenso. Mas nisso tudo há uma coisa em comum, a todos amamos e isso é que constitui a essência maior da felicidade eternamente incompleta que buscamos...


Nara Morais

Eu gosto de GENTE, gente que ama a flor da pele, que grita, que fala palavrão quando tem raiva. Gosto de GENTE que diz e faz, mas também que tem duvidas, que as vezes se desespera, que bate o pé de ansiedade, que chora e chora muito, porque sabe que as portas do coração tem que abrir quando a chave se perdeu e está tudo enclausurado e perto de explodir. Eu gosto de GENTE que diz o que sente e faz o que sete também, que reclama, que seja chato as vezes, que também seja feliz as vezes, GENTE incompleta, de riso e choro solto, de peito abeto ao adverso e o diverso. GENTE que assume suas falhas, que sabe que erra e muito, que é indiferente a quem não deve, que faz "MERDA" mesmo, com o perdão da palavra, ah, gosto de gente que sabe pedir perdão e perdoar também, e de gente que assume que muitas vezes o perdão não é possível porque não se esquece quando a rosa fura, mesmo que deixe o perfume nas mãos. Gosto de GENTE sincera, de gente de carne e osso, desconfio de discursos feitos, de sorrisos marcados, de palavras informais. Não gosto do perfeito, por isso gosto de GENTE, porque GENTE é inacabada, é reboco caído, é parede sem pintura, é retalho a ser desfeito, gente é imperfeita.


Nara Morais

"Antes de amar-te, amor, nada era meu
Vacilei pelas ruas e as coisas:
Nada contava nem tinha nome:
O mundo era do ar que esperava.
E conheci salões cinzentos,
Túneis habitados pela lua,
Hangares cruéis que se despediam,
Perguntas que insistiam na areia.
Tudo estava vazio, morto e mudo,
Caído, abandonado e decaído,
Tudo era inalienavelmente alheio,
Tudo era dos outros e de ninguém,
Até que tua beleza e tua pobreza
De dádivas encheram o outono."

Pablo Neruda


E mesmo sabendo que vai chorar tantas vezes ela continua na espera de um sorriso , e mesmo prevendo que vai ficar tantas noites sozinha com seu sentimento pulsando no peito e pedindo socorro, ela continua na janela esperando a volta, o retorno do carro na rua da frente. E mesmo temendo o eterno retorno a condição do amor unilateral, ela faz desse retorno uma reconstrução dos pedaços que foram deixados para trás no mesmo caminho de sempre, no tão conhecido espaço entre o beijo de antes e o olhar fugitivo de agora, entre as lembranças e a chama acesa de um futuro próspero.E mesmo sabendo da iminência do fim, ela continua na esperança do recomeço, mantendo-se intacta, firma em degraus de vidro, forte em chão de cristal, mas a leveza do ser, a insustentavel leveza do ser não permite que ela vire as costas e siga sim ao não, e olhe para frente sem entregar-se a ânsia de dar uma verificada atras para ver se ele vem, se ele faz o retorno no carro na rua da frente...e mesmo sabendo que vai chorar, ela ama, porque do amor não se foge, da dor não se esconde, as lagrimas não se escondem, dele ela não consegue fugir, porque seria como fugir de si mesma, já que ele está dentro dela, guardado na alma fazendo estripulias e confusão.


Nara Morais
Seria perfeito?? Perfeito você simplesmente esquecer do amor que não pôde eternizar-se somente com sentimentos altruístas e aceitáveis e assim colocar de lado, e assim apagar de forma exequível tudo de essencialmente humano e adorável nas discrepâncias dos sentimentos, da alma? Deletar o que? A possibilidade de unir a experiência do fracasso para um novo recomeço no sucesso, esse que, de forma real e, portanto pessimista, possa vir a não tornar-se um eterno devir. Excluir? Porque excluir, colocar de lado o que foi antes importante, simplesmente pelo fato de agora, que tornou-se um sonho utópico e doloroso, estar ardendo no peito? Assim está caminhando a humanidade, é melhor manter-se em relacionamentos de redes sociais nas quais a tecla de deletar está sempre acessível para escolher o próprio fim quando as dúvidas primárias do sentir se tornam mais proeminentes, do que encarar o fato de que gostar é confuso, amar é paradoxo, querer é doloroso e perder é insanável.

Nara Morais

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Só queria você aqui.
De qualquer jeito e de todo jeito.
Só queria tua voz inundando meu silêncio.
Tua paz enclausaurando minha solidão.
Só queria teu sorriso sofregamente em minha lagrima.
Teu desejo sufocando minha mágoa, minha angustia do adeus.
Só queria teu sussuro no meu sono.
Tua fome na minha sede de ter fome de você.
Só você...de qualquer jeito, a qualquer hora, mas você.

Nara Morais

"Eu quero uma licença de dormir,
perdão pra descansar horas a fio,
sem ao menos sonhar
a leve palha de um pequeno sonho.
Quero o que antes da vida
foi o sono profundo das espécies,
a graça de um estado.
Semente.
Muito mais que raízes. (Exausto)"

Não suporto essas minhas oscilações de humor com relação a meu blog.
Já muito o designer tantas vezes. Já briguei com ele, tivemos conflitos dificeis...
Ah!!!Sei como é complexo fazer um blog, como é dificl escolher cada detalhe de cada cantinho...
Estou sentindo como se estivesse casando, arrumando cada detalhe da casa...cada vaso na sala...
Em que canto vão ficar as velhas lembranças e as novas escolhas.
Em que baú vai ficar os desprezos, as angústias resistentes...
Em que?
Não sei se passo meses escolhendo os detalhes do blog porque sou perfeccionista
o bastante para não querer nada fora do lugar.
Talvez isso seja apenas uma coisa:Medo de escrever...
De me mostrar, revelar o que sou e quem sou.
De brincar de jogo da verdade em meio a poéticas centelhas de alma e acabar...
E acabar?E fim?
Não sei, gostaria que essa fase do aprto acabasse...que esse casamento fosse consumado logo...
Gostaria de escrever logo...de me deixar expandir.

Nara Morais