domingo, 4 de dezembro de 2011

E se...

"E se não for desejo será ardor.
E se não for vontade será furor.
E se não for procura, o fim ainda não chegou.
E se não for loucura, o sentimento ainda há de ser amor.
E se não for perder-se, ainda não se encontrou.
E se a mão não gela, ainda não se encaixou.
E se o beijo não flui, ainda não prolongou.
E se o amor viu  fim, ainda não começou."













Nara Morais




"Queria somente um chamego.
Um abraço um aconchego.
Paras sentir que tudo passa
Que com o amor o tempo flui...
Que com a dor o tempo flui...
Que com tudo o templo flui...
Por que no fundo ainda é amor"










Nara Morais
                                                              Meu Baú






Guardo em um velho baú, abraços de chegada e despedida.
Juntos de com palavras de amor e amizade.
Guardo beijos de alegria e de saudade.
Lembranças que edificam minha vida.

Tenho em quadros que decoram minha mente.
Paisagens de lugares em que caminhei.
E de outros tantos nos quais sei que já andei.
Se não físico, espiritualmente.

Tenho em um canto entre velhos livros, guardadas
Páginas amareladas que arranquei do livro da minha vida.
Lembranças que preferi que fossem esquecidas.
Mas o tempo não quis que fossem apagadas.

Tenho também em uma velha caixão de papelão.
Palavras e atitudes que me magoaram.
Pedaços de sonhos que em forma de lágrimas  se solidificaram.
E que um dia sangraram meu coração.

Mas essa caixa prefiro deixar esquecida.
Pois nelas existem obras de arte sem valor.
Peças tristes que o destino me deixou.
Para lembrar das cicatrizes que existem em minha vida.

Nara Morais

                    Relíquias















Eu tenho uma flor murcha que encontrei em meu jardim.
Molhada com lágrimas de um triste orvalho.
A colhi no chão e não nos galhos.
E depois a plantei em mim.

Eu tenho a noite como minha companheira fiel.
E as estrelas moram em meu quintal.
Tenho estrelas estendidas em meu varal.
E á noite, da minha varanda posso tocar o céu.

Eu tenho um sorriso lindo que me foi dado.
E o guardo como uma relíquia em minha lembrança.
Tenho também o olhar tênue de uma criança.
Que em meu ser a sete chaves trago guardado.

Tenho asas de um anjo caído.
Que do seu paraíso se perdeu.
E em um frasco guardo lágrimas de fé de um ateu.
Que em uma noite clamo por Deus desprotegido.

Tenho em meu jardim pássaros que cantam ao amanhecer.
E flores que vibram ao ouvir tão saudosa melodia.
Os raios de sol são os primeiros a me desejarem "Bom dia".
E os últimos a beijarem minha face ao entardecer.

Nara Morais